7 de março de 2018

Documentário 'O silêncio da noite...' percorre o Interior do Estado

Cineasta pernambucano Petrônio Lorena exibe seu novo longa por cidades do Agreste e Sertão até chegar ao Recife no dia 15

A certa altura de "O silêncio da noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras", documentário que o cineasta pernambucano Petrônio Lorena se prepara para lançar, um dos entrevistados diz que as pessoas do Sertão "vivem, voam e retornam para sua aldeia". É uma definição que vale também para o diretor: o retorno ao Sertão é uma volta fundamental para seu cinema. Seu filme entra no circuito nacional no dia 15 deste mês, mas, entre os dias 7 e 12 de março, passará por Arcoverde, Belo Jardim, São José do Egito, Triunfo, Serra Talhada e Caruaru.

"Nasci em Serra Talhada, que fica duas horas de distância de São José do Egito. Meus próximos filmes, não todos, estão tematizados no Sertão. O Sertão vai ser sempre um ambiente em que as histórias que quero contar se passam", diz Petrônio. "É algo que me impulsiona para fazer filme. Sou emotivo com meus filmes. Sempre retorno ao Sertão, para voltar aos mestres da cultura popular. É justo voltar, reaprender e passar conhecimento a partir do que você aprendeu. Fazer documentário também é isso: se relacionar com o tema afetivamente", destaca o diretor.

O documentário se concentra na história das pessoas e das cidades Ouro Velho e Prata (PB) e São José do Egito - entre elas Severina Branca, que inspirou o verso que dá nome ao filme. "Isso se chama cinema direto. Não é um cinema opressor, que diz para os entrevistados que 'tem que ser assim', 'tem que ser do meu jeito'. A abordagem tem que se adequar ao tema. Ser poeta é ser livre, então não vou oprimir o entrevistado. Deixo o cara livre e vou filmando. Interfiro, mas sem oprimi-lo. Pergunto o que quero saber, mas deixo o cara fazer suas digressões", detalha.

Petrônio parece especialmente fascinado pelas pessoas e pelos lugares que filma. "Me encanta o fato de você ir a uma barbearia e o cara declamar Bocage. Você vai ao bar e o dono declama um poema que o vizinho fez. Quando alguém morre a família dessa pessoa recebe um soneto de um amigo, para consolar. Você está engraxando o sapato, comenta alguma coisa e o engraxate responde uma quadra animada. É isso que me seduziu: as pessoas mais simples têm um rebuscamento poético. Fazem disso uma filosofia de vida", diz o diretor.

O filme é composto de pequenos momentos que mostram a realidade atual e o peso cultural da poesia e das rimas de improviso, através de diversos personagens. "O que me chama a atenção é que o povo ali daquela área do Pajeú preserva a memória afetiva em versos. O respeito que eles têm pelas pessoas que já morreram. Esse respeito ao ser humano é uma coisa que me chama a atenção. Nunca publicaram nada, mas são lembrados com respeito e devoção. É algo que me impulsiona para fazer filme", ressalta.

Vem aí
Depois do lançamento do documentário, distribuído pela Inquieta Cine - que levará o longa, além do Recife (no Cinema do Museu, na Fundaj de Casa Forte), para São Paulo, São Luís e Curitiba -, Petrônio volta a dar atenção a dois outros longas-metragens: o documentário "Pássaro preto" e a ficção "Nó cego" - este feito com o roteirista Antônio Carrilho. "'Pássaro' eu vou rodar neste ano. É sobre o pior time do mundo, o Íbis. 'Nó cego' está em andamento. É livremente baseado no romance 'Noite na taverna', de Álvares de Azevedo", adianta Petrônio.

Festa
Tendo como atrações o Encanto Em Poesia e a banda Petrônio e as Criaturas, o novo filme ganha comemoração com festa no dia 15, a partir das 22h, no Capibar (R. Tapacurá, 101 - Monteiro).
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