4 de maio de 2017

Casa da Mulher do Nordeste inaugura 10 quintais produtivos no Sertão do Pajeú

Nas últimas semanas a CMN percorreu sete municípios do Sertão do Pajeú para inaugurar os quintais produtivos de agricultoras assessoradas pela instituição. 

Ao todo foram 10 mulheres que receberam melhorias em suas comunidades para a produção, apesar do período de estiagem prolongada. Essa iniciativa faz parte do Projeto 15.282 de Implantação e Expansão de Quintais Produtivos patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, executado pela CMN.

As mulheres receberam tela para estruturar seus quintais produtivos, especial para as áreas da criação de galinhas e da produção de hortaliças e plantas medicinais. Além disso, receberam alguns equipamentos, como forrageiras, enxada, pá, bombas, canos e mangueiras para ajudar no sistema de aguação, entre outros. “Para as mulheres essa melhoria veio em um bom momento, agora elas possuem um local propicio para a criação de galinhas. E com o cercado da horta, elas conseguem delimitar o espaço para que outros animais não tenham acesso. Verificamos um aumento na diversidade de cultivos nos quintais através das trocas de sementes e plantas”, conta Eliane Rocha, técnica educadora da CMN que está realizando a assessoria às mulheres.

Outro destaque durante as inaugurações foram as trocas de saberes e de produtos, puderam conhecer as experiências de cada uma que se envolveu no projeto. “Gostei bastante da inauguração, conheci outras mulheres e trocamos bastante. Agora tenho pimenta, coentro, alface, tomate, hortelã, cidreira, milho verde. Com tudo isso não preciso comprar mais verduras com agrotóxico”, disse a agricultora Marilene Silva, 43 anos, da comunidade de Poço Redondo, município de Tabira. Ela conta que o acesso à água é difícil, mas com a aquisição da bomba vai facilitar o trabalho. “Antes tinha que ir pegar água com carro de boi para aguar as plantas. E agora que está chovendo, a bomba vai poder puxar a água de um barreirinho que tenho aqui perto”, completou. Ela só possui uma cisterna de 16 mil litros para consumo próprio, mas não para produção.

Todas as mulheres fazem parte de algum grupo organizado de mulheres, e por este motivo, a forrageira que adquiriram com o projeto será usada pelo coletivo, contribuindo para a alimentação de pequenos animais. A sororidade entre as mulheres e a aposta na auto-organização das mulheres é uma das prioridades no trabalho desenvolvido pela Casa da Mulher do Nordeste. “Faço parte do grupo de mulheres Renascer, da comunidade de Açude da Porta, e esse projeto beneficiou a todas nós com o uso da forrageira que será usado por todas. Também já deixei de comprar alface, coentro, cebolinha com agrotóxico. Agora produzo meu próprio alimento, e a alimentação da minha família melhorou bastante.  Onde criava as galinhas era bem apertado, com o novo espaço vou poder criar mais e agora elas tem até bebedouro”, relatou a agricultora Maria Sineide Silva, 40 anos,  do sítio de Macambira, São José do Egito.

O projeto está sendo desenvolvido nos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde, Flores, Afogados da Ingazeira, Tabira, Ingazeira, São José do Egito e Itapetim. Como contrapartida, as mulheres tiveram que apoiar com a instalação das telas, as estacas e o ajudante para o pedreiro construir o galinheiro. O projeto terá continuidade até o final deste semestre, onde as agricultoras continuam a receber a assessoria técnica da CMN para uma melhor convivência com o semiárido. 

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