13 de abril de 2016

Confirmada a Relação entre Zika Vírus e Microcefalia

 

 

Confirmado; Zika Vírus é a causa da Microcefalia



Veja também os critérios usados pelos cientistas para confirmar a relação entre vírus zika e casos de má-formação


Pesquisadores do órgão de controle epidemiológico dos Estados Unidos, o CDC, publicaram um estudo hoje (13) confirmando a relação entre a infecção pelo vírus zika em mulheres grávidas e problemas de má-formação congênita em bebês, como a microcefalia. O estudo, publicado no jornal científico The New England Journal of Medicine (NEJM), um dos mais importantes do mundo, analisou as pesquisas conduzidas até o momento e classificou como suficientes as evidências para confirmar a correlação.


Os pesquisadores usaram um método criado pelo pediatra americano Thomas Shepard em 1994 para confirmar a existência de uma relação de causa e efeito em casos de má-formação congênita. São sete critérios. Para ser confirmada a relação, é necessário que o primeiro, segundo e terceiro critérios sejam comprovados ou que o primeiro, o terceiro e o quarto critérios sejam positivos. O zika como causador de microcefalia se encaixa na segundo cenário. Os critérios 5, 6 e 7 ajudam a estabelecer a relação, mas não são essenciais. Entenda os critérios:

1º critério: Comprovação de exposição ao possível agente causador durante um período crítico do desenvolvimento pré-natal
Status: Critério comprovado.

Evidência: Estudos de casos e estudos epidemiológicos sugerem que o vírus zika está relacionado a casos de bebês com microcefalia e calcificações intracranianas quando a mãe é infectada principalmente no fim do primeiro trimestre e no começo do segundo trimestre de gravidez

2º critério: Achados consistentes de dois ou mais estudos que comparem populações diferentes (mães com e sem zika, por exemplo) e que excluam outros fatores de relação
Status: critério comprovado parcialmente


Evidência: A relação temporal e geográfica entre a circulação do vírus zika e casos de microcefalia é forte. Há dois estudos epidemiológicos no Brasil que mostram a relação (29% dos bebês de mulheres infectadas pelo zika em qualquer fase da gravidez apresentaram anormalidades em ultrassonografias no pré-natal, segundo uma das pesquisas). Há um estudo feito na Polinésia Francesa que também encontrou a relação. Ainda faltam mais levantamentos epidemiológicos para satisfazer totalmente o critério.

3º critério: Caracterização bem definida da má-formação
Status: critério comprovado


Evidência: a descrição dos casos clínicos mostra que os bebês nasceram com má-formação parecidas e muito características: microcefalia e outras anomalias cerebrais, problemas de visão, artrogripose (um problema nas articulações)

4º critério: Exposição ambiental rara associada a má-formação rara
Status: critério comprovado


Evidência: mães que viajaram para países em que o vírus circula tiveram bebês com microcefalia, uma condição considerada rara em circunstâncias normais

5º critério: Replicação da má formação em animais
Status: critério não comprovado


Evidência: não há resultados de estudos que mostrem animais com má-formações após infecção pelo zika

6º critério: A associação faz sentido do ponto de vista biológico?
Status: critério comprovado


Evidência: estudos em animais mostram que o vírus tem preferência por atacar células do sistema nervoso e pesquisas com cérebro de fetos infectados mostraram a presença do vírus no tecido cerebral

7º critério: Prova de que o agente da má-formação age em outros modelos
Status: Não se aplica


Evidência: esse critério só se aplica para agentes químicos, como drogas, e não para agentes infecciosos

Em outra metodologia, proposta pelo epidemiologista britânico Bradford Hill, a relação entre a infecção pelo vírus zika e os casos de microcefalia são confirmados por sete dos nove critérios. Baseados nas duas metolodogias, os pesquisadores do CDC concluíram existie evidências suficientes para confirmar a correlação. "Após reconhecer a relação causal entre o zika e os efeitos adversos nas gestações, podemos concentrar os esforços de pesquisa em outros aspectos críticos", escreveram os autores no NEJM. A partir de agora, as pesquisas deverão responder a outras questões, como a chance de a infecção por zika na gravidez resultar em má-formações no feto e se há diferenças nas consequências dependendo do período da gestação em que ocorreu a doença. (Fonte: Época/Globo)


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