22 de fevereiro de 2016

Banda de Serra Talhada conta sua trajetória de sucesso



Banda de Serra Talhada conta sua trajetória de sucesso

Vocalista da Bandavoou (Carlos Filho). Foto: Robério Sá / Âncora.

Meu nome é Carlos Filho, sou compositor e cantor da Bandavoou. Sou serra-talhadense, filho da terra, mas estou morando fora há um tempo. Trabalho também com produção cultural e sou um agitador de opiniões nessa ideia.
Âncora: Quando e como surgiu o trabalho da banda, avaliando o início da trajetória até hoje?
Carlos Filho: A banda surgiu em 2012. Fizemos 4 anos agora em janeiro, e pra gente é satisfatório esse caminho, pois, nem PC – também filho da terra – e eu, temos formação em música. PC é arquiteto, eu estudei direito, enfim, trabalhávamos em outras áreas, mas o dom da composição sempre nos puxou um pouco, ao ponto que começou através da internet, a ter uma demanda e resolvemos fazer um show aqui e outro lá, até que começou a aumentar muito, foi quando tivemos que decidir se continuaríamos apenas nisso ou seria só um hobby. Assim, PC e eu migramos de área e abandonamos a carreira que seguíamos para nos dedicar a música. A maneira como tentamos empreender em criar uma música nossa, mostrar a nossa visão, os nossos posicionamentos diante dos fatos e a situação, tem sido legal. Não só conseguimos tocar hoje em todo Pernambuco com shows lotados, como fazemos muitos shows também fora do estado – São Paulo, Rio de Janeiro, por exemplo. Também já tocamos fora o Brasil, no Uruguai, Argentina. Isso é legal para sabermos que apesar de sermos de Serra Talhada, as pessoas tem interesse no qeu produzimos aqui, na forma como as pessoas vivem aqui, então, fico muito feliz em saber que essa estrada vem sendo trilhada há um bom tempo, pois o que queremos é levar nosso nome para o mais longe possível.
Âncora: Como a música de vocês é produzida e como esse material atinge as propostas e ideais da banda de fazer algo irreverente na sociedade?

Carlos Filho: Nossa composição visa produzir sempre uma posição de cronista, de algo que não estamos vendo, de uma realidade que se vive ou já que vivemos, de alguns agentes culturais que formaram a nossa identidade. Tentamos mostrar ao máximo quando viajamos, a realidade do homem sertanejo, como também do impacto urbano que a cidade de Serra Talhada teve, que o Recife tem – onde moramos hoje. E a nossa produção é isso, tentar ser um cronista daquele tempo que a gente vive; tentar ser um formador de opinião no sentido de se posicionar politicamente, não só político partidário, mas politicamente no sentido de questões importantes pra cidade, cidadania e etc.

Recentemente saiu uma matéria na Folha de São Paulo sobre a gente, destacando essa coisa da Música Popular Brasileira (MPB), falando isso de que ninguém sabe o que é MPB ao certo, é tanta coisa. Mas, são músicas autorais, nós que escrevemos. Canções brasileiras é mais fácil a mídia julgar com MPB, mas em relação a ritmo, pode-se ver que o nosso é bem variado, tanto que rock, reggae, algumas coisas de elementos de forró, então, não é algo rotulado nesse sentido de que existe um padrão homogêneo disso. Não, de forma alguma, a homogeneidade está na nossa forma de interpretar a situações, mas também não nos incomoda se chamar de MPB. Acredito que a discussão é pequena nesse sentido e o que importa é entenderem a música, independente do rótulo. O mais importante é a mensagem do que o rótulo, talvez.

 Âncora: Qual é a música que mais se destaca durante esse tempo de atuação de vocês e qual a mensagem que ela traz?

Carlos Filho: Como as músicas são nossas filhas, temos um apego com cada uma, mas a que teve mais destaque, sem dúvida, foi do nosso primeiro disco que se chama “Pera ai”, composição de PC e Paulo Patriota. Essa música é na verdade um trocadilho, um jogo de palavras e a intenção dela é saber brincar com a sonoridade das palavras. Agora estamos apostando na música “Nó” que dá nome ao disco e fala sobre não desistir dos sonhos e acreditar neles, mas ainda assim, correr atrás. O mote da música diz que “os sonhos nunca vão dormir, nem acordar”, no sentido de que nunca devemos desistir do que desejamos, mas também não vão acordar se você não for levantar e trabalhar. A música “Nó” surgiu nesse período em que estávamos decidindo se mudávamos de área ou não. Assim, a música visa provocar as pessoas a buscarem aquilo que elas acreditam e tentar fazer algo que vá fazer a diferença.

Âncora: Como está a repercussão do lançamento desse novo CD? Como vocês avaliam o ano de 2015 e quais as perspectivas para 2016?

Carlos FilhoAs expectativas são ótimas! O lançamento do disco foi excelente. Casa cheia, toda a imprensa compareceu. Algumas quebras de barreiras com os meios de comunicação em Recife, uma ou outra que nunca saia matéria nossa, dessa vez foi, postou, fez crítica. Meio que foi uma afirmação, uma unanimidade na imprensa local em Recife. Em relação ao ano de 2015, foi bem além do que a gente esperava, pois além dos shows que produzimos, vencemos vários festivais, como no ano passado. É importante destacar o Festival de Música do Gama em Brasília que vencemos em 1º lugar; em setembro vencemos o Samsung Festival que é um evento nacional produzido pela Samsung com mais de quinhentas bandas, o qual, também, vencemos em 1º lugar. No novo disco, temos a participação de Elomar Figueira de Melo que é um dos maiores nomes de composição em música popular no Brasil, baiano, que mora em Vitória da Conquista. Então, o ano foi repleto que muito trabalho, mas de coisas que excederam nossas expectativas que era apenas fazer shows e de repente, estávamos em contato com grandes nomes da MPB, tocando junto com eles e tendo repercussões positivas na imprensa. Em relação a 2016, lançamos o disco agora e sairemos em turnê, inicialmente pelo interior do estado e depois em outras regiões do país.

Âncora: Qual exemplo vocês poderiam dar para outros artistas que estão começando agora, principalmente no interior de Pernambuco?



Carlos Filho: Sempre temos entrado em contato com artistas locais consagrados – em nossa opinião, assim como emergentes. Sobre isso de exemplo, tem-se que tomar cuidado às vezes, de não parecer pedante, de ficar dando conselhos, mas uma das coisas que temos aprendido e achamos que é importante compartilhar, é que o primeiro de tudo é nunca desistir da sua crença estética, da sua orientação artística, daquilo que você quer, pois, hoje, os meios de comunicação de massa, muitas vezes tendem a nos fazer querer produzir algo que vá ser consumido em um volume maior e isso pode desvirtuar a ideia artística que o ser humano tem. Nesse sentido que a gente tem percebido não desistir da sua concepção de arte, e o principal é não apenas pensar em arte é preciso também pensar em negócios e isso, de forma alguma, deixa sua arte menor. Pelo contrário, antigamente pensava que vender sua arte como empresa era se vender, mas se não percebermos como um negócio do qual iremos viver, isso não vai se expandir e provavelmente não vai criar uma consistência artística que a gente quer que tome. Então, além da sua arte que tem que ser algo genuíno, verdadeiro e que vem de dentro de você, tem-se que pensar em uma forma organizada de fazer isso ser produzido. Não pensar exclusivamente como uma empresa e só pensar no dinheiro, mas como vou mobilizar, capacitar e engajar pessoas a trabalharem junto comigo. De que forma as pessoas tem interesse em contribuir nessa produção e principalmente ‘eu preciso distribuir isso’, eu preciso fazer com que as pessoas me escutem e esse é o nosso trabalho agora, rodar bastante para que as pessoas nos escutem e tenham uma opinião sobre nosso trabalho. Talvez, o grande conselho seja este: pensem em atingir as pessoas, pensem em criar algo e não fiquem esperando que alguém bata em sua porta e vá dizer que você vai fazer sucesso. Enfim, vá atrás.

Âncora: Como você enxerga o cenário das políticas culturais no país para artistas e produtores culturais?

Carlos Filho: Infelizmente no Brasil, às vezes, grande parte dos artistas tem a leitura errada sobre seu “sustento”. A grande discussão é “como financiar?”, e, alguns artistas tem a ideia de que tem que ser financiado exclusivamente pelo governo, e ai, a gente tenta analisar o cenário mundial hoje. Quando se chega à Europa, não tem um euro de financiamento privado, tudo é dinheiro público e consegue-se gerar um circuito de pequenas, médias e grandes atrações o ano inteiro. Nos Estados Unidos é exatamente o contrário, não se tem um dólar do dinheiro público, sendo sempre capital privado. Então o que acontece é que nós do Brasil estamos sendo muito bem vistos lá fora, no sentido de que começa a viabilizar um modelo híbrido que são tanto financiamentos públicos, quanto capacitar os artistas a saberem captar recursos privados. Claro, não está bom, não está ótimo, mas já esteve muito pior, então à gente tem que fazer duas coisas: saber valorizar, identificando o quem tem sido feito de bom e relatar que muita coisa precisa melhorar. Vou dar um exemplo daqui de Serra Talhada: somos daqui, já conseguimos tocar em outros estados, fora do país, mas nunca havíamos tocado em nossa cidade. Pelo mérito artístico, fomos convidados a tocar na Festa de Setembro de 2015. Serra Talhada precisa muito andar nesse sentido, de maiores recursos para investimento nos profissionais da arte, pois o valor econômico e cultural e a devolução social que a arte trás é algo provado e acreditamos que o pouco que seja gasto com educação artística, vai ter um retorno social muito grande. Assim, a cultura deve ser vista, além da questão do entretenimento, como uma formação cultural e tradicional muito grande. Tem-se que valorizar isso. Não esperar que a gente vá lá fora e toque, pra ter reconhecimento aqui. Tem uma série de artistas que são muito bons. Se o poder público fizer o papel dele, mas a sociedade não consumir isso, não vai fazer sentido nenhum. Fonte: Ãncora do Sertão  notícias de são josé do belmonte,  politica de são josé do Belmonte, belmonte política, belmonte notícias,polícia belmonte, polícia são José do belmonte, política de são José do Belmonte, são José do belmonte, belmonte, belmonte noticias blog, belmonte noticias 190,blogs de são Jose do belmonte, blogs de são José do Belmonte, são José do belmonte, tribuna belmonte, tribuna belmontense,belmonte, prefeitura de são José do Belmonte,

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