17 de outubro de 2015

Só resta a Cunha sair de cena em grande estilo

Ricardo Noblat
Admiradores e desafetos de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, deram por encerrado o expediente político da sexta-feira plenamente de acordo em pelo menos uma questão: não há mais nada a ser feito a favor dele ou contra ele.
Do ponto de vista jurídico, a levar-se em conta a lentidão dos tribunais, ainda se passará muito tempo para que Eduardo seja condenado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação de impostos.
Do ponto de vista político, Eduardo já era. Acabou. Cometeu o crime responsável pela maioria das cassações de mandatos: mentiu aos seus pares. Em depoimento à CPI da Petrobras, negou que escondesse dinheiro em contas bancárias no exterior.

Ao denunciá-lo, esta semana, ao Supremo Tribunal Federal, o Procurador Geral da República provou com farta documentação que ele, a mulher e a filha foram titulares de pelo menos quatro contas bancárias na Suíça alimentadas com dinheiro de propina.
A única chance de Eduardo escapar de ser cassado por seus pares é não ser julgado por eles. Como? Renunciando ao cargo de presidente da Câmara e ao mandato de deputado. Antes dele, outros presidentes encrencados escolheram a renúncia.
O inconveniente: uma vez que renunciasse, perderia o direito a só responder por seus crimes no Supremo Tribunal Federal. Uma vez que perdesse tal direito, estaria sujeito a ser preso por ordem de  qualquer juiz de esquina. Já pensou?
Bem, Eduardo talvez viesse a preferir sair da vida com um tiro para entrar na história – mas não parece ter o perfil de quem fosse capaz de proceder assim. E a abdução? Quem sabe a saída para ele não estivesse em ser abduzido? Há quem acredite nessas coisas.
O prontuário de Eduardo sugere que ele só sairá de cena atirando. Foi por brigar em excesso à direita e à esquerda, sentindo-se forte o suficiente para bancar o temerário, que ele chegou ao fim da carreira política mais rapidamente do que imaginou.
Antes que seja batido o último prego no caixão de Eduardo, ele ainda poderá detonar a bomba do impeachment contra Dilma. Como presidente da Câmara, cabe-lhe arquivar ou pôr para tramitar um dos pedidos de impeachment que ainda não foram examinados.


Não tem mais nada a perder. E, convenhamos: haveria maneira mais espetacular de ser lembrado?
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