30 de setembro de 2015

De Bom Nome para Hollywood: a trajetória do maestro Moacir Santos

A obra do compositor, instrumentista e maestro brasileiro Moacir Santos, nascido no Alto Sertão Pernambucano, no distrito de Bom Nome, município de São José do Belmonte, é reconhecida como uma das mais ricas e originais da música brasileira. Seu estilo peculiar, desenvolvido sobre gêneros populares e eruditos, associa a sonoridade característica das bandas de música e jazz-bands de sua formação inicial no sertão, à ampla experiência adquirida em sua atuação como maestro e arranjador em uma profícua fase da história da música brasileira e no mercado norte-americano. Moacir Santos foi um dos mais importantes músicos brasileiros do século 20, porém era ainda um ilustre desconhecido para a grande maioria dos seus conterrâneos. Continua sendo, embora no ano de 2013 tenha acontecido pela segunda vez no Teatro Santa Isabel na cidade de Recife, o Festival Moacir Santos, que reuniu grandes músicos, do Brasil e do exterior, em torno da música do maestro.

Aos 3 anos de idade ficou órfão da mãe, fato que só agravou a sobrevivência dele e dos quatro irmãos – três meninas e um menino -, pois assim que nasceu Moacir, o pai, José, abandonou o seio familiar para aderir a uma força volante que empreendia caçada ostensiva ao bando de Lampião. Entregues à própria sorte, os irmãos foram adotados por famílias da cidade de Flores. A guarda de Moacir ficou sobre a responsabilidade de uma senhora por nome Corina, mas logo o menino foi tutelado pela família Lúcio, aos cuidados da filha Ana, moça solteira que o colocou na escola e permitiu que ele tivesse proximidade com a banda municipal da cidade. Autodidata, nos intervalos dos ensaios do conjunto, Moacir aprendeu a tocar vários dos instrumentos utilizados pelos músicos. Aos 10 anos, já lidava com trompa, saxofone, percussão, clarineta, violão, banjo e bandolim.

O menino-músico das bandas do sertão, depois de muito tocar em diversas cidades e capitais do Nordeste, chegou ao Rio de Janeiro no fim da década de 40, onde trabalhou na Rádio Nacional. No “templo” da música popular no país à época, foi contratado inicialmente como saxofonista, e pouco depois tornou-se maestro, passando a integrar um time de profissionais do gabarito de Radamés Gnattali e Lyrio Panicalli, entre outros. No auge da bossa nova, foi professor de personagens fundamentais da música popular brasileira, como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Sérgio Mendes e Nara Leão.

Na década de 60 compôs trilhas sonoras para o Cinema Novo (Ganga Zumba, O Beijo, Os Fuzis, Seara Vermelha) e lançou o seminal LP Coisas. Sua música de maior sucesso, Nanã, gravada em centenas de interpretações, é tocada pelo mundo todo.

Mas como um garoto negro, órfão, pobre, do sertão pernambucano chegou a disputado autor de trilhas para cinema em Hollywood? Em quarenta anos de vida nos Estados Unidos, para onde foi em 1967 após a ótima repercussão da trilha sonora composta para a produção hollywoodiana Amor no Pacífico, Moacir Santos consolidou sua reputação como compositor e professor. Lançou quatro LPs autorais, três deles pela renomada gravadora Blue Note, e passou a ter seu nome associado a grandes expoentes do jazz, como Horace Silver, Joe Pass, J. J. Jonhson, Frank Rossolino, Gary Foster e Clare Fischer.

No Brasil, sua obra foi reapresentada ao público no início dos anos 2000, no âmbito do Projeto Ouro Negro, e desde então sua influência tem marcado as novas gerações de músicos em todas as regiões do país. O maestro costumava dizer que nasceu entre preás e mocós “numa tapera nos rincões e matas do sertão pernambucano, entre os municípios de Serra Talhada (antiga Vila Bela), Flores; Bom Nome, distrito de São José do Belmonte, é oficialmente seu lugar de nascimento.” Já famoso, morando nos Estados Unidos, o desconhecimento sobre a sua origem o afligia sobremaneira, e sua inquietação sobre o assunto levou-o, nos idos de 1980, a empreender uma viagem ao sertão do Pajeú, onde finalmente descobriu o registro de seu batismo, na secretaria paroquial de São José do Belmonte:

Livro de Batizado nº 8 março 1926-1927
246 Muacy. Aos onze de setembro de mil novecentos vinte seis, na Capela de S. Antonio em Bom Nome, baptizei solenemente a Muacy, nascido aos vinte seis de julho ultimo filho legitimo de José Francisco do Nascimento e de Juleheita Pureza Torre foram padrinhos Antonio Narciso da Silva e Luiza Francisca do Nascimento. E para constar mandei fazer este assento que assigno. Pe. José Kehrle.

Vinícius de Moraes, um de seus parceiros, lhe pediu a bênção no samba famoso que só homenageia os grandes: “A bênção, maestro Moacir Santos/ Não és um só, és tantos, como o meu Brasil de todos os santos”. Mas, embora tantos, e respeitados, o “Ouro Negro”, como era chamado, Moacir Santos demorou a ocupar o lugar que era seu, no panteão dos mestres da música brasileira. Tendo estabelecido moradia fixa na região de Pasadena, na California, onde viveu compondo trilhas para o cinema e ministrando aulas de música, Moacir Santos faleceu em 6 de agosto de 2006, onze dias após completar 80 anos.notícias de são josé do belmonte,  politica de são josé do Belmonte, Belmonte política, Belmonte notícias,polícia Belmonte, polícia são José do belmonte, política de são José do Belmonte, são José do Belmonte, Belmonte, belmonte noticias blog, belmonte noticias 190,blogs de são Jose do Belmonte, blogs de são José do Belmonte, são José do Belmonte, tribuna Belmonte, tribuna belmontense,
                                                                     Valdir José Nogueira de Moura



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