1 de julho de 2015

Padrasto estuprou e estrangulou Maria Alice com cinto, diz polícia

Delegada Gleide Ângelo chorou durante coletiva de imprensa, quando revelou detalhes do caso (Foto: Vitor Tavares / G1)






O crime que resultou na morte de Maria Alice Seabra, 19 anos, cujo corpo foi encontrado em um canavial na cidade de Itapissuma, no Grande Recife, começou a ser planejado por seu padrasto, Gildo Xavier, 35 anos, há cerca de dois meses. A delegada Gleide Ângelo, responsável pela investigação, participou de entrevista coletiva nesta quinta-feira (25) e contou detalhes do inquérito e do depoimento do assassino confesso, que conversou com os investigadores durante três horas, nesta manhã.

Segundo a delegada, Gildo queria estuprar Maria Alice, porque tinha muito desejo por ela. A intenção inicial era essa, para depois fugir. No mês passado, a jovem descobriu que o padrasto tinha uma amante em Gravatá, onde ele trabalhava, e contou tudo à mãe, Maria José Arruda. Ela se separou de Gildo, mas perdoou o marido, pouco depois. Quando ele voltou para casa, Alice decidiu morar com uma tia, em Igarassu.

Irritado com a mudança da jovem, ele passou a acompanhar a vida da enteada pelas redes sociais e viu postagens dela em festas e saindo com outros rapazes. De acordo com Gleide Ângelo, foi a motivação decisiva para cometer o crime.

Na última sexta (19), Gildo disse ao patrão que a filha tinha sido atropelada e que precisava de dinheiro para o atendimento médico. Com o valor obtido, ele foi a Gravatá e alugou um carro. De volta ao Recife, colocou películas escuras no veículo e foi ao alojamento da empresa onde trabalhava, onde pegou roupas e um frasco de Rupinol, tranquilizante de prescrição controlada normalmente utilizado no golpe “Boa noite, Cinderela”.

Depois disso, Gildo seguiu para a casa da família, no bairro da Estância, no Recife, onde Maria Alice já o esperava para que ele a levasse para a suposta entrevista de emprego. Na história que ele inventou para a enteada, essa entrevista aconteceria no bairro da Encruzilhada, também na capital. À esposa, ele disse que tinha alugado o carro para viajar no São João, após deixar Alice no local da falsa entrevista.

Alice Seabra foi enganada pelo padrasto, que prometeu levar a jovem para uma entrevista de emprego para poder assassiná-la (Foto: Reprodução / Facebook)


Em depoimento, o padrasto contou que a ideia inicial era dar o Rupinol à Alice, para estuprá-la e, em seguida, fugir. No entanto, a jovem não bebeu nada para que ele tivesse a oportunidade de misturar o remédio a algum líquido. Após pegar a enteada, ele deu um soco nela, dentro do carro, na BR-101, em Paulista. Alice então fingiu que estava desmaiada. Durante o trajeto, a mãe dela ligou para Gildo, que atendeu. Nesse momento, Alice começou a gritar pedindo socorro.

Ainda conforme a polícia, depois de desligar o telefone, ele começou a espancar Alice e enrolou o cinto de segurança no pescoço dela. Deu o remédio e começou a praticar o estupro. Durante o ato, ele percebeu que a enteada estava desfalecendo, sangrando muito. Com Alice desacordada, ele seguiu na direção da Mata Norte e começou a procurar um matagal. Antes de deixar a jovem amarrada em um canavial em Itapissuma, Gildo vestiu Alice com as roupas dele. Em seguida, seguiu em direção a João Pessoa.

Gildo Xavier indicou à polícia local onde deixou corpo da enteada, em canavial no Litoral Norte (Foto: Penélope Araújo / G1)


O padrasto ainda revelou que, dez minutos depois de abandonar o corpo, ele resolveu voltar ao local. Contou que queria ver se Alice estava viva, pra tentar salvá-la. Ao retornar, percebeu que a jovem estava realmente morta. Então, decidiu fugir para a cidade de Aracati, no Ceará. Quando já estava no município cearense, Gildo entrou nas redes sociais e viu toda a comoção em torno do caso, além da mensagem da delegada Gleide Ângelo. Foi quando ele entrou em contato com a polícia, fornecendo informações sobre onde havia deixado o corpo. Em depoimento, ele confessou que queria que achassem logo o cadáver para que a mãe de Alice não sofresse tanto. Como ninguém achava o corpo, ele resolveu voltar para apontar pessoalmente o local para delegada.

“O motivo mesmo [do crime] foi o desejo sexual dele por Alice, que começou há 3 anos, quando o corpo dela reformou. Ele disse que ficava só olhando, que ninguém notava. Por conta disso, ele disse que tentou controlar. Há dois meses, entretanto, ele disse que veio a vontade mesmo de estuprar. Ele inventou toda a história para conseguir praticar o crime. Gildo diz que não queria matar, só estuprar. Mas pelas características do crime, afirmo que ele queria sim”, disse Gleide Ângelo.

Ainda segundo a delegada, o padrasto ficou cerca de 1h30 com a jovem, entre pegá-la em casa e deixar seu corpo no canavial. A gota-d’água para Gildo decidir que devia estuprar Alice, de acordo com a Gleide Ângelo, foi quando ela fez uma tatuagem na última quinta (18), no punho. A tatuagem em hebraico teria o nome do pai biológico de Alice, que já morreu. A Polícia Civil não confirma que era realmente o nome do pai.

Corpo da jovem estava em decomposição quando foi achado em canavial, em Itapissuma. Cadáver não tinha uma das mãos (Foto: Reprodução / TV Globo)


Ao ser encontrado, o corpo de Alice estava sem a mão do braço onde estava a tatuagem. Como o corpo estava queimado e em decomposição, não dá para saber se a tatuagem ficou no corpo. A polícia ainda não encontrou a mão dela e não confirma que Gildo teria arrancado. Há a possibilidade de um animal ter comido. Em depoimento, o padrasto disse que jamais teria mutilado o corpo, acrescentando que não tinha necessidade de negar isso caso tivesse feito. No entanto, o perito Fernando Benevides afirmou que há possibilidade de a mão ter sido arrancada pelo assassino.

“É um monstro, porque era uma pessoa que criou ela desde 4 anos, tinha obrigação de cuidar dela. E Alice estava buscando o futuro dela, um emprego, e encontrou esse monstro no meio do caminho”, disse Gleide Ângelo, que chegou a chorar durante a coletiva de imprensa. Gildo tem uma filha de 11 anos, com a mãe de Alice.

O inquérito não está finalizado. A Polícia espera laudos do Instituto de Criminalística (IC), do carro e do corpo. Na tarde desta quinta (25), Gildo foi encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, Grande Recife, onde ficará à disposição da Justiça. Gildo será indiciado por quatro crimes: sequestro qualificado (porque foi para fins libidinosos); estupro; homicídio qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa e feminicídio; e ocultação de cadáver. A pena máxima prevista é de 48 anos de reclusão.


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