6 de julho de 2015

O paradoxo da telefonia no Brasil

Você está satisfeito com a qualidade da telefonia no País?Foto: BBC


A maioria dos usuários de telecomunicações, que inclui o uso de telefonia, a transmissão de dados, o acesso à Internet, uso de redes sociais, entre outras atividades, deve se perguntar se esses serviços são realmente rentáveis, ou se dão prejuízo às operadoras, tendo em vista que a qualidade é sempre baixa, por mais caro que seja o pacote contratado.

Provavelmente, todos ficarão surpresos em saber que as empresas de telecomunicações faturaram, apenas no ano passado, R$ 234,1 bilhões. Isso mesmo, um faturamento superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de nada menos que 119 países.

Se essas poucas operadoras de comunicações formassem um país, ele estaria na posição de número 64, empatado com o Equador, e melhor posicionado que o Azerbaijão, a Croácia, o Uruguai e mais 120 outros países, segundo a classificação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

E os números associados ao negócio de telecomunicações, por exemplo, são sempre elevados. Os dados do setor indicam que o número de aparelhos celulares no Brasil chegou a 283.518.379, em abril de 2015, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior, para uma variação praticamente nula do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

As operadoras de telefonia fixa, móvel, banda larga e televisão por assinatura alegam terem investido R$ 29 bilhões em seus negócios no Brasil em 2014. Isso seria superior a todo o investimento do governo federal em educação superior no Brasil, no mesmo ano. Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), foram R$ 305 bilhões investidos desde a privatização do setor, em 1998, principalmente na expansão da infraestrutura e oferta de novos serviços.

Um investimento dessa monta deveria ter colocado o País entre os mais desenvolvidos, com a maior rede, a tecnologia mais avançada e a melhor qualidade de serviço do mundo. Efetivamente, a estatística de teledensidade do sistema celular no Brasil mostra que, na maior parte do País, há bem mais celulares que habitantes.

Entretanto esse indicador elevado, longe de mostrar algum nível de excelência, apenas comprova a baixa qualidade do serviço celular, que obriga os usuários a adquirirem vários aparelhos, de diferentes operadoras, para garantir a recepção, com qualidade mínima, do sinal transmitido.

Além disso, os consumidores perderam vários direitos, como, por exemplo, saber exatamente o que está pagando e o que está consumindo em relação a serviços públicos prestados por empresas concessionárias. Para ilustrar isso, um usuário que contrata um plano de telefonia paga antecipadamente, e mensalmente, um valor estipulado pela empresa, mesmo que o serviço não seja prestado. E paga por taxas de transmissão de dados que nunca são realmente oferecidas pelas empresas.

Vale a pena mencionar que um dos príncípios da comunicação móvel pessoal, estabelecidos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), e também codificado em regulamento da Anatel, estabelece que a cada usuário deve corresponder apenas um número de telefone móvel, com o objetivo de servir a todas as suas atividades de comunicação.

Se, por um lado, a qualidade do sinal recebido é baixa, a indisponibilidade (tempo em que o serviço está fora do ar) é elevada e a probabilidade de bloqueio supera em muito o valor recomendado pela UIT, e adotado pela Anatel.

Por outro lado, o custo da ligação entre operadoras diferentes é elevado, sem uma razão técnica aparente, visto que o tráfego telefônico ocupa os mesmos circuitos, a mesma rede e as mesmas centrais, seja em uma ligação para um aparelho da mesma operadora, seja em uma ligação para outra operadora na mesma região.



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