8 de maio de 2015

Bolsistas do Ciências Sem Fronteiras são aconselhados a usar o "jeitinho brasileiro" para contornar atraso de verba


Ministério da Educação nega qualquer problema

Com atraso na aprovação de estágios e pesquisas no exterior, os estudantes brasileiros em intercâmbio pelo programa Ciências sem Fronteiras (CsF) nos Estados Unidos receberam um e-mail inusitado do Institute of International Education (IIE), organização norte-americana que promove o intercâmbio em colaboração com o governo. Nele, o diretor do Instituto, Edward Monks, fala para os bolsistas usarem o “jeitinho brasileiro” (interpretação livre para "use that Brazilian method of creative problem solving") enquanto a verba de transporte para estágios e pesquisas fora da cidade de domicílio no exterior não é liberada pelo programa. A informação, no entanto, foi negada pela Capes, do Ministério da Educação.

De acordo com a Capes, a nota divulgada pelo Institute of International Education (IIE) é descabida. "O próprio IIE já prestou esclarecimentos aos estudantes e pediu para que o texto anterior fosse desconsiderado. A Capes informa que está em dia com todas as bolsas do Ciência sem Fronteiras e liberou na quarta-feira, 6, os recursos relativos ao pagamento das taxas e despesas das universidades", declarou através de nota oficial.

O teor do e-mail causou revolta em alguns estudantes que interpretaram a frase dita como "use o "jeitinho brasileiro" para resolver a situação". Em tradução livre, o e-mail enviados aos bolsistas diz: "Por enquanto, pedimos que você use o "criativo método brasileiro de solução de problemas" (jeitinho brasileiro) para trabalhar junto a seus amigos brasileiros, novos amigos americanos, sua família, redes formais e informais, tutores e oficiais da universidade para juntar recursos, oferecer hospitalidade um ao outro, ficar com amigos, entender acomodações e alimentação no campus ou usar sua bolsa da CAPES para arranjos temporários".

Horas depois, outro e-mail foi enviado pelo IIE com um pedido de desculpas. Em tradução livre, o e-mail dizia: "Por favor, desconsidere a mensagem abaixo. Pedimos desculpas pela falta de comunicação". A verba de transporte só é liberada depois de três ou quatro semanas depois que o estágio ou pesquisa é autorizado. É esta autorização que está atrasando o processo, segundo estudantes ouvidos pelo Diario.

Alguns estudantes, como Maria Eduarda e Carlos Machado, ainda não receberam dinheiro para voltar para casa no Brasil. Foto: Acervo pessoal

O estudante de engenharia civil Carlos Machado relatou que a demora para a liberação da verba preocupa os estudantes. "Estou em Illinois, mas um amigo meu conseguiu estágio em outra cidade aqui dos Estados Unidos e precisa desse dinheiro para se locomover até lá. As aulas vão até dia 15 de maio e dia 17 já tem gente que precisa estar do outro lado do país", afirmou.

Carlos retorna ao Brasil no final do mês e conta que terá prejuízo com esse atraso. "Volto para Maceió em pouco tempo, a sorte foi que meu pai teve condições de pagar a minha passagem. O que preocupa é que não é todo mundo que tem condições, mas todos temos prazos", completa o estudante, que ainda não recebeu o dinheiro do programa para voltar ao Brasil. Segundo Machado, desde o início do programa do Governo Federal, já estava certo que os estudantes receberiam o auxílio deslocamento no valor de US$ 1.600.

A pernambucana Maria Eduarda Azevedo está em Chicago e também precisou comprar a passagem para retornar ao Recife. "Eu ainda não recebi o dinheiro da passagem, tive que comprar com o dinheiro das bolsas dos meses anteriores. Como estou voltando antes do estágio, tenho que devolver as bolsas referentes aos meses de junho, julho e agosto", afirma.

A estudante de arquitetura diz estar se sentindo prejudicada, mas conta que há colegas de intercâmbio em situações piores. "Meus colegas que conseguiram estágio estão sendo mais afetados, pois estão mudando de universidade e não estão recebendo o auxílio de mudança e alimentação que eles têm direito", ressaltou.

Ainda de acordo com Maria Eduarda, houve casos em que estudantes precisaram desembolsar o dinheiro da mudança utilizando a verba de bolsas referente aos meses anteriores. O Diario entrou em contato com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação e responsável pelo programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras, mas ainda não obteve resposta sobre o atraso nas verbas.(DP)



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