22 de abril de 2015

Sanfoneiro Camarão, Patrimônio Vivo de Pernambuco, morre aos 74 anos

Sanfoneiro ficou conhecido como Camarão após o cantor Jacinto Silva ter feito menção às suas bochechas avermelhadasFoto: Edmar Melo/JC Imagem

O sanfoneiro Camarão, de 74 anos, que morreu na manhã desta terça-feira (22), será enterrado em Caruaru. A família decidiu realizar o sepultamento na cidade do Agreste de Pernambuco para atender a um desejo do sanfoneiro.

Camarão será enterrado ao lado dos pais, no cemitério Dom Bosco, às 14h desta quarta. Os detalhes estão sendo ajustados pela família. O corpo chegou para o velório na Câmara de Vereadores do Recife, por volta das 19h.

No início da semana passada, Camarão começou a reclamar de um mal estar gerado por uma infecção intestinal e, só na quinta-feira (16), os médicos do Hospital Santa Joana, localizado no Recife e onde o músico estava internado, decidiram mantê-lo em tratamento intensivo. Às 8h30, a sanfona do artista se calou.

TRAJETÓRIA - Nascido em 23 de junho de 1940 no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, o sanfoneiro ficou conhecido como Camarão após o cantor Jacinto Silva ter feito menção às suas bochechas avermelhadas durante um show para uma rádio da região. Mestre no instrumento, ele contabilizou mais de 50 anos de carreira dedicados ao xote, xaxado, forró e baião.

O ofício aprendeu com seu pai, o sanfoneiro Antônio Neto, que sempre o levava para as festas onde tocava. Em seu trabalho na Rádio Difusora de Caruaru, Camarão pôde ter contato com grandes nomes ilustres da música nacional, como Sivuca e Hermeto Pascoal. Mais tarde, no entanto, aperfeiçoaria sua técnica com um dos maiores ícones da música nordestina, Luiz Gonzaga, com quem gravou a canção Garoto do Grotão, em 1978. O rei do baião foi ainda o produtor dos dois primeiros álbuns da Banda do Camarão, o primeiro conjunto de forró do Brasil.

O mestre também participou da Orquestra Sanfônica de Caruaru, introduzindo ao ritmo regional arranjos de sax, trompete e trombone. Camarão participou de inúmeros shows do Trio Nordestino, Santanna, Marinês e Dominguinhos. Em 2002, apresentou-se com sucesso no projeto Sanfona Brasil em São Paulo, que reuniu especialistas no instrumento de todo o país, como Arlindo dos Oito Baixos, Zé Calixto, entre outros.

Residindo no Recife desde a década de 80, Camarão ministrou aulas de sanfona na Escola Acordeom de Ouro, fundada por ele mesmo no bairro de Areias, onde morava. Sobre a experiência com ensino, Camarão revela: "Pra mim foi uma coisa que nasceu espontaneamente. Já ensinei mais de 100 pessoas e um bocado já virou profissional". A paixão pela música contaminou seus quatro filhos, dos quais um deles, Sérgio, tem um apego especial pela sanfona.FolhaPE



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