28 de abril de 2015

Belmontense campeã paralímpica vence dificuldades de locomoção no grande Recife

Paratleta Suely Guimarães se tornou a motorista da família

Suely Guimarães se lembra: aos sete anos, brincava em uma das calçadas de São José do Belmonte (PE) com as crianças da vizinhança, quando um carro desgovernado atravessou a rua. Ela perdeu uma amiga e uma das pernas. Vítima de erro médico, Suely ainda teve que acatar à amputação do segundo membro inferior, que indevidamente engessado, gangrenou. “Com 17 anos cheguei ao Recife e descobri o paratletismo. Logo depois, resolvi aprender a dirigir. Quanto mais difícil, mais eu vou atrás”, coloca Suely.

E vai mesmo. De lá para cá, Suely conquistou quatro medalhas paralímpicas no lançamento de disco, o recorde mundial da prova e a carteira de motorista. “Só precisei de oito aulas para fazer o teste do Detran e conseguir minha CNH”, comenta. Contra a resistência da mãe, a campeã contou com uma ajuda de peso para dirigir o primeiro automóvel. “Frei Damião, que era amigo da família, dizia a minha mãe: ‘deixe, que ela é traquina, mas independente’”‘, lembra.

De vilão a mocinho, o carro pode até ter tirado as pernas de Suely, mas devolveu-lhe a capacidade de se locomover. “A cadeira de rodas é meu corpo e o carro minhas pernas. O que passei me ensinou a respeitar e a ter paciência com outros no trânsito”, conclui. Considerada pelos pais a motorista da família, a paratleta brinca: “só não me deixe faltar máquina de lavar e microondas”.

Vencendo preconceitos

Josefa dos Santos reclama do desrespeito às vagas reservadas

Motorista há 35 anos, a costureira Josefa Maria dos Santos, conhecida entre os amigos como Nizinha, encontrou no volante uma maneira de vencer a hostilidade das calçadas. “Perdi o movimento das pernas aos quatro anos de idade, devido à paralisia infantil. Agora me sinto mais segura para ir ao médico, sair com alguém ou ver minha família”, comenta. Livre da buraqueira das ruas, Nizinha agora é obrigada a driblar a má educação de outros motoristas. “Acontece muito em supermercados e shoppings de pessoas sem deficiência estacionarem em vagas exclusivas. É muito desrespeitoso, mas procuro não me irritar e estacionar nas garagens normais”. Ela tira de letra e manda um recado para as pessoas com necessidades especiais que andam com medo do volante: “Dirigir só traz benefícios e a gente aprende num instante. Encarem o desafio, porque é uma libertação”.

Serviço

Segundo José Pereira, criador do sistema brasileiro de adaptação veicular para pessoas com deficiência e dono da Ortopedia Inglesa, a única alteração que o processo requer é a transferência das funções dos pedais de aceleração, freio e embreagem para duas alavancas instaladas ao lado do volante. “Se a barra da direita é puxada, acelera; se empurrada, freia. A da esquerda, trabalha para mudanças de marcha”, explica. Pereira cobra R$ 1.300 pelo serviço, mas garante que ele não leva mais de um dia para ser concluído. “O sistema funciona para qualquer carro”, complementa.


Alavanca é alternativa para troca de marchas


Adapte seu carro! Ortopedia Inglesa
Endereço: Rua Paissandu, 682, Derby Fone: (81) 3222-6983
De olho na lei

1. Pessoas com deficiência física podem requerer a isenção de imposto sobre IPVA, ICMS, IPI e IOF; 2. O condutor que precisar de carro adaptado pode ter aulas de direção e se submeter à prova prática no seu próprio veículo;
3. No teste prático da primeira habilitação, o deficiente é acompanhado pelo examinador e também pelo médico perito do trânsito, que vai conferir se as adaptações veiculares estão apropriadas às suas condições de saúde;
4. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), estacionar o veículo em vagas exclusivas para deficientes resulta em multa e remoção do veículo. (Matéria: Vrum PE/ Portal Belmonte)



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